AASP Brasil na luta contra a Reforma da Previdência

A iminência de uma nova Reforma da Previdência está preocupando servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada. Diversas entidades têm se mobilizado a discutir como enfrentar este novo golpe que vem pela frente. E a AASP Brasil está participando ativamente desta luta.

Integramos um grupo de entidades do funcionalismo público que está reunindo-se periodicamente para discutir os pontos da reforma e formas de combatê-la. Os encontros estão ocorrendo no escritório político do deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB). Já foram realizadas duas reuniões, uma no dia 16 de janeiro e outra no último dia 6 de fevereiro.

Nestes encontros discutiu-se a pressa com que o governo pretende aprovar seu projeto, a falácia do argumento de que a Previdência é deficitária.

Elisabete Borgianni, presidente da AASP Brasil avalia que é muito importante explicar ao público em geral que a Reforma apenas vai tirar direitos de trabalhadores, pois, na realidade, a Previdência não é deficitária e o que está em curso é uma perversa estratégia de elevar os lucros do sistema financeiro a partir dos fundos de pensão privados. Elisabete citou os importantes estudos da professora Sara Granemann, docente da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o tema. Lembrou ainda, que essa estratégia foi utilizada no Chile, já nos anos 1980 e depois o próprio Estado chileno precisou complementar as aposentadorias daqueles que recorreram aos fundos privados.

O deputado faz uma análise pessimista da conjuntura política atual. “O resultado que tivemos na Câmara dos Deputados na semana passada nos preocupa. O governo consolidou maioria na Casa, sinal de que a reforma será aprovada sem dificuldades”, alegou. Para o parlamentar, a maioria da sociedade está “comprando” o discurso do governo de que a Previdência pública irá quebrar caso a reforma não seja aprovada.

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Paulo Dimas Mascaretti disse que o TJ está elaborando uma nota técnica sobre a proposta de reforma do governo e acredita que talvez uma saída seja propor um projeto alternativo. “Já estamos em conversa com uma bancada que conta com cerca de 70 deputados”, informou.

Elisabete e o presidente do TJ-SP, Paulo Dimas Mascaretti

O desembargador Oscild de Lima Junior, presidente da Apamagis, alertou para o significado político-social da reforma. “Este projeto não é para uma reforma, mas sim para extinguir a Previdência Pública, o que será péssimo para servidores e trabalhadores comuns, já que ninguém terá condições de contribuir por mais de 40 anos”, expôs.

Elisabete também apontou ainda outra preocupação. “Uma das maldades que ninguém está vendo dentro da PEC é relacionada à saúde do trabalhador. A PEC está extinguindo aquelas atividades que prejudicam a saúde do trabalhador. Isso que médicos e advogados do trabalho insistiram por anos a fio que são atividades que prejudicam, isso tem fim na PEC. Tudo terá que ser visto caso a caso com a reforma”, pontuou com o que pode compreender do Seminário Nacional contra a Reforma da Previdência, do qual participou no último dia 4. Ela também falou sobre a importante nota técnica elaborada pelo Dieese que explica detalhadamente cada ponto da Reforma e quais serão as consequências para os trabalhadores.

Na última reunião também se falou sobre a importância de a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) manifestar-se contra a proposta do governo.

Nova reunião foi agendada para o próximo dia 20 para dar continuidade à mobilização.

Sobre o(a) autor(a) ronaldorezende

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