SP: Servidores do TJ mantêm greve sanitária

Enquanto servidores se mobilizam pela vida, Tribunal promete incentivo milionário a desembargadores

Em nova assembleia realizada nesta quarta-feira (12/08) os servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo deliberaram pela manutenção da greve sanitária decretada em julho.

O principal motivo para a manutenção foi a informação de novos casos de contaminação por Covid-19 com a reabertura dos fóruns. Apesar da preocupação crescente, o Tribunal de Justiça ainda não providenciou a testagem de seus servidores. Além disso, a maioria dos fóruns não oferece as condições necessárias para preservação da saúde dos trabalhadores e da população atendida.

As entidades representativas dos servidores têm oficiado o órgão, mas até o momento não foram chamadas para nenhuma reunião ou negociação. Mais uma vez, na assembleia os dirigentes pontuaram que a greve é pela vida e que o trabalho não parou, já que os trabalhadores mantêm as atividades remotas.

Outro ponto debatido na assembleia foi a divulgação de estímulos aos desembargadores, para celeridade do julgamento de processos, em valores de até R$ 100 mil. Revolta é a palavra que define o sentimento de todos. Enquanto os trabalhadores lutam pela preservação da vida, lidando com a falta de condições de trabalho, o descaso, as perdas salariais acumuladas e os recorrentes episódios de assedio moral, o TJ articula mais um “privilégio” aos desembargadores.

Deliberações aprovadas na reunião:

– Nova Assembleia virtual na próxima quarta-feira, 19 de agosto, às 10 horas;

– Apagão no Judiciário durante o tempo que ocorrer a Assembleia na próxima quarta-feira, 19 de agosto, com a interrupção do trabalho presencial e remoto;

– Apagão no Judiciário, com a interrupção do trabalho presencial e remoto, no dia 26 de agosto;

– Dias de Luto, protesto de quem precisa ir ao trabalho presencial, com o uso de alguma peça de roupa ou adorno na cor preta;

– Registro com selfies e encaminhamento às entidades para divulgação no site e redes sociais desses dias de Luto;

– Envio de e-mail pelos servidores ao Tribunal de Justiça cobrando uma reunião com as entidades representativas;

– Em relação ao assédio moral no trabalho pela adesão à greve sanitária ou ambiental, comunicar a entidade;

– Nota conjunta sobre os incentivos aos desembargadores pelo TJ-SP em até R$ 100 mil, para celeridade a julgamento de processos, enquanto os servidores não receberam a reposição salarial desse ano;

– Nota de esclarecimento sobre o servidor e a campanha difamatória taxando o funcionário público como “marajá” ou o “culpado” pela falta de verbas (desvio de dinheiro público) na imprensa;

– Formalizar mais um pedido de reunião com o TJ-SP.

 

Sobre o(a) autor(a) Ana Carolina Rios

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), bacharel e licenciada em letras pela Universidade de São Paulo (USP). Assessora de Comunicação da AASPSI Brasil desde 2012.

Deixe um comentário